Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Ante-estreia (1) - Júlio Resende

(fotos: Manuel Jorge Veloso)

 

Um sonho maior do que o próprio mundo

 

É nas curtas linhas que escreveu para o encarte do seu primeiro álbum dA Almacujo lançamento se realizou nas Lux Jazz Sessions da passada quarta-feira (24.10.07)  - que o pianista Júlio Resende nos fala de «sonhos maiores do que o próprio mundo», seguramente aqueles que um jovem músico alimenta no início da sua carreira profissional e, acima de tudo, na altura da publicação do seu primeiro disco, o suporte e a consagração por excelência da obra jazzística.

O cronista de O Sítio do Jazz esteve lá e, pela satisfação e alegria que se espelhavam nas faces dos músicos do quarteto, no final do set de apresentação do disco, parecia sem dúvida que os sonhos se haviam tornado realidade. E é essa a primeira nota positiva a reter da generosa sessão.

Do ponto de vista musical, o andar da noite e o progressivo aumento dos ruídos circundantes e dos decibéis das conversas mundanas não terão ajudado a que melhor se pudesse julgar da qualidade da música que o quarteto de Júlio Resende nos ofereceu. Mas o que estes ouvidos puderam então «adivinhar» veio a confirmar-se na audição mais recatada do disco e na paulatina descoberta dos seus meandros composicionais e de improvisação.

Hoje lançado a público nas discotecas de todo o país, aqui se dá conta das impressões positivas que o disco me causou, nesta primeira de uma série de ante-estreias que futuramente aqui terão os seus devidos relatos.

 

 

dA Alma

(Clean Feed / Trem Azul)

1. Filhos da Revolução; 2. Deep Blue; 3. Move It!; 4. dA Alma; 5. Wise Up; 6. Um Dia de Férias; 7. Jinha; 8. Ghost Dog.

 

Júlio Resende (piano); Alexandra Grimal e Zé Pedro Coelho (sax-tenores); João Custódio (contrabaixo); João Lobo e João Rijo (bateria).

 

 

 

Gostaria de começar por vos dizer que, ao referir as influências que tal ou tal músico possa parecer experimentar em relação a outras personalidades que julgo constituirem as suas referências modelares, é o lado positivo desta atitude (e não qualquer negativa reticência) que em geral me interessa realçar. Para ser mais claro, é o acerto e o bom gosto revelados por essas opções de inspiração (mais ou menos implícitas) que sobretudo aprecio, ao achar útil para o leitor sublinhar essas influências.  

Por exemplo, no que a este disco em concreto diz respeito, parece-me relativamente transparente que o jovem pianista Júlio Resende -  não só uma revelação mas já uma clara certeza na cena jazzíztica portuguesa  -, ao mesmo tempo que ainda procura, como é natural, uma linguagem e um caminho próprio, ensaia essa afirmação pessoal buscando alguns sinais de inspiração no mundo conceptual de um Brad Mehldau, por exemplo.

Entretanto, se uma tal tendência é susceptível de confirmação em peças como Deep Blue ou dA Alma, já outras peças deste disco se orientam em direcções diversas, privilegiando por um lado o uso de métricas irregulares mas também deixando-se entregar às batidas binárias da música funk e de outros espécimes da música popular urbana, como é o caso de Um Dia de Férias ou Ghost Dog.

Mas outros indícios extremamente interessantes e reveladores da procura de uma via pessoal se podem detectar em certas passagens deste primeiro opus de Júlio Resende.

Logo de início, por exemplo, Filhos da Revolução é-nos dada a ouvir como se de uma singela «canção de roda» se tratasse; e a própria introdução «marcial» no piano, pela subtileza deliberadamente titubeante com que é apresentada, sendo ainda passível de outras leituras, acaba por estar de acordo com a configuração geral da própria peça.

Por outro lado, mesmo que Deep Blue se enquadre, sem margem para dúvidas, na estrutura de um blues em 6/8, o certo é que alguns requebros «arabizantes» na sua linha melódica sugerem, a certa altura, a hipótese de estarmos perante o recorte de um fado (!), suscitando-se além do mais uma certa ilusão auditiva, ao parecer adivinharmos a presença (de facto apenas ilusória) de uma guitarra portuguesa...

Por último, um outro exemplo deste divertido gosto de Júlio Resende pelo efeito da ambiguidade e da surpresa parece-me patente em Move It!, sobretudo pela coabitação de secções temáticas ou improvisacionais de cariz totalmente diverso: a introdução free (só aparentemente deslocada) no piano, seguida da apresentação de um tema explícito e tonal mas exposto em duas direcções opostas (nas quais uma atmosfera agitada e jovial é entrecortada por uma passagem bopper, à boa maneira de Parker, fortemente swingada), sucedendo-se no plano solístico intervenções também elas divergentes, com Júlio Resende «grudado» ao sentido geral do tema e Alexandra Grimal a enveredar por uma improvisação relativamente livre em rubato até que, seguindo-se à intervenção mais contundente de Zé Pedro, a irrupção do piano pelo meio de uma pausa que parecia conclusiva nos reconduz à exposição do tema. 

No campo improvisacional, para além da desenvoltura do líder na competente exploração das potencialidades do piano, Zé Pedro Coelho revela-se o solista mais consistente, utilizando com hábil apropósito as passagem em tons inteiros, os harmónicos, a constante descentragem dos acordes de passagem e o intenso cromatismo como factores de modernidade e dando-se a ouvir, em geral, com uma sonoridade cool, lisa e sem vibrato, um pouco na linha de um Mark Turner, mas sem deixar de impor, quando necessário, uma impetuosidade emocional que contagia os restantes.

Alexandra Grimal constitui uma agradável surpresa e um útil complemento tímbrico na componente dos sopros, revelando-se o rotundo contrabaixo de João Custódio e (quanto à percussão) sobretudo a ágil bateria de João Lobo, dois suportes rítmicos essenciais.

Ao leitor-ouvinte fica o desafio à descoberta das restantes virtualidades e limitações desta primeira e prometedora obra discográfica.


 

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 11:11
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Sábado, 20 de Outubro de 2007

Um fartote: Lovano na Aula Magna e Corea no CCB

 

É assim, com esta naturalidade totalmente oposta à míngua que muitos da minha geração viveram em relação à inexistente regularidade de concertos de jazz entre nós, que hoje podemos dar-nos ao luxo -  sem quase disso nos darmos conta  - de assistir, em duas noites seguidas, às actuações de duas grandes personalidades do jazz moderno: Joe Lovano e Chick Corea!

Num primeiro comentário ainda à margem da música que Lovano nos propôs anteontem (19.10.07) em Lisboa, não pude deixar de me lembrar de uma cena inesquecível a que pessoalmente tive a ventura de assistir há 44 anos (!) durante o memorável concerto de estreia na Europa do novo quinteto de Miles Davis (27.07.63, Antibes, Juan-les-Pins, documentado no álbum Miles Davis in Europe).

Acontece que, durante todo esse concerto, foi ao mesmo tempo admirável e comovente testemunhar o indisfarçável espanto e a justa admiração manifestados por Miles (nos seus olhares e na sua postura) perante a arrasadora actuação de Tony Williams (um puto, então com 18 anos!), músico tão influente quanto decisivo para o impressionante impacte que esse novo quinteto iria desempenhar na carreira do grande mestre.

Ao procurar visualizar na minha memória este flashback, não pude deixar de estranhar sinais de admiração e até de alguma «dependência» (por exemplo, quanto à escolha de certo repertório) agora manifestados por Joe Lovano -  um dos mais extraordinários saxofonistas do nosso tempo, na reavaliação moderna das melhores tradições do jazz clássico  - em relação a Francisco Mela, um baterista interessante q.b. mas de forma alguma decisivo quanto ao resultado final do concerto de sexta-feira passada, antes pecando por um protagonismo desproporcionado que, quanto a mim, prejudicou em parte esse resultado.

Em todo o caso, o público parece ter-se entusiasmado bastante e até alguns ouvidos que particularmente considero não destoaram desta impressão generalizada, pelo que certamente as minhas serôdias obsessões de repórter fotográfico terão contribuído para esta distracção e desconsideração.

Regressado das chamadas «doutorais» -  que a organização do concerto me permitiu frequentar, durante alguns minutos, para ensaiar alguns retratos que constam aqui ao lado e mais acima  - ao devido lugar que me havia sido reservado no Anfiteatro Inferior (sic), pude então prestar mais atenção à sempre generosa e emocionante música que Lovano costuma partilhar com o ouvinte-espectador.

Evocando, nas peças de sabor e carácter mais afro-latino, o ataque e som poderosos de um Rollins ou entregando-se às deambulações melódicas por toda a tessitura do instrumento (no que me fez lembrar um Henderson), Joe Lovano foi intenso e expressivo em duas peças que extraiu do repertório do seu álbum Streams of Expression -  as Partes I e II da suite do mesmo nome: Streams e Cool  -e particularmente caloroso e inventivo na extraordinária e soberana versão de           I Waited for You (Dizzy Gillespie), tendo-nos ainda oferecido outros solos altamente elaborados para uma peça de traça monkeana e para uma outra paráfrase sobre as harmonias de What Is This Thing Called Love, subvertidas estas (na exposição do tema) por brevíssimos acordes de passagem à maneira de Countdwon (Coltrane).

Enfim, um concerto de muito bom nível, com contributos adequados e essenciais dos seguríssimos Dennis Irwin (contrabaixo) e James Weidman (piano).

 

 

 

Prometia muito a actuação de Chick Corea na noite seguinte (20.10.07), realizada no Grande Auditório do CCB, tanto mais que há muito o não ouvíamos assim, num recital em solo absoluto, ainda por cima em piano acústico!

Mas o próprio Corea, antes de tocar, confidenciou aos espectadores algumas atribulações relativas à viagem, com partida na Califórnia, escala em Londres e chegada à capital portuguesa uma hora antes do concerto.

Talvez essas atribulações tenham influído num sentido menos positivo no próprio desenrolar da actuação de Chick Corea, que demorou um certo tempo a «engrenar». E finalmente, quando já começávamos a recostar-nos na cadeira e a extasiar-nos com a música que progredia com naturalidade em capacidade de invenção, um intervalo que já não se usa (embora porventura justificado pelo cansaço do pianista) veio interromper esse crescendo de intensidade criativa.

Tinha ainda havido tempo, apesar de tudo, para experimentarmos os desafios e caminhos tortuosos de uma improvisação relativamente aleatória -  e não muito conseguida  - claramente para aquecer os dedos; uma luminosa recriação de Monk's Mood, sempre apimentada pelas incríveis harmonias de mestre Thelonius; alguns assomos do repertório de influência latina, com a traça inconfundível de Corea; e ainda duas calmas e admiráveis versões de Darn That Dream (Richard Rodgers Jimmy Van Heusen) e Waltz for Debbie (Bill Evans), a templar esse sempre irrequieto e inacreditável blues (mais uma vez de Monk) que dá pelo título Ba-Lue Bolivar Ba-Lues-Are!

A surpresa viria depois do intervalo, com o pianista a optar pela apresentação de excertos (porventura demasiados) do seu ciclo Children Songs (composto para piano-solo e datado de meados dos anos 80), obra praticamente sem improvisações que, na aparente simplicidade descritiva da sua escrita, no tom evocativo das canções de roda, de pequeninas valsas ou mesmo do foxtrot, bem como no impressionismo de algumas harmonias, nos faz lembrar certas peças singelas de um Eric Satie, um Scott Joplin ou um Maurice Ravel.

Tardaria assim a surgir a última peça do concerto, de cromatismo intenso e furioso sincopado que, a par de outros momentos deste recital, serviu para nos recordar mais uma vez o brilhante pianista (em termos absolutos e não apenas enquanto jazzman) que Chick Corea realmente é.

Quanto aos truques extra-programa -  com os ensaios dos naipes de vozes e da participação coral do público  -, eles pertencem às contas de um outro rosário, não são para aqui chamados e serviram, sobretudo, para suscitar a já esperada standing ovation.


 

Actualização: há duas gralhas (Widman em vez de Wideman) nas legendas de duas das fotos da sequência inicial! Nada a fazer... é tarde demais para fazer undo.
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Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:26
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Domingo, 14 de Outubro de 2007

Achados no baú (3)

Uma das posturas que mais me afligem, quando leio recensões de discos ou críticas de concertos em publicações portuguesas ou estrangeiras, é o posicionamento de certos textos que não conseguem disfarçar nem sequer estão dispostos a ensaiar uma desejável distanciação em relação aos gostos que o implicado escriba nutre por tal ou tal músico e esta ou aquela corrente estética.

Sem querer estar armado em santo (já que raramente o terei verdadeiramente conseguido), não foram poucas as vezes em que, ao longo dos anos, procurei dominar as minhas paixões pessoais no sentido de poder comunicar ao leitor uma opinião o mais objectiva possível sobre uma dado objecto artístico.

Uma dessas ocasiões mais penosas terá sido a crítica que há anos [26.06.99] senti o dever de escrever no Diário de Notícias a propósito da edição de um disco (à data, o mais recente) gravado por um dos músicos que mais incondicionalmente admiro: Brad Mehldau.

 


 

 

 

Questões de estilo

 
Onde se fala do mais recente [1999] álbum de Brad Mehldau e se levantam um conjunto de questões muito pouco discutidas no jazz
 
Ainda na semana passada [19.06.99] aqui utilizava a expressão «incongruência estética», a propósito do álbum Marsalis Plays Monk do trompetista Wynton Marsalis, e já hoje não encontro expressão menos contundente para me referir a Elegiac Cycle, o disco mais recente [1999] de Brad Mehldau, gravado em solo absoluto em Fevereiro deste ano [1999] - sendo que, entre o oportunismo de um e as conjunturais fragilidades de outro, quaisquer semelhanças são pura coincidência!
 
Convém esclarecer que, em termos de franquezas, me sinto perfeitamente à vontade para levantar fortes reticências ao novo trabalho de um músico notável em relação ao qual desde a primeira hora arrisquei os mais convictos elogios, considerando-o «o caso» mais transcendente que terá surgido nos anos 90, no âmbito do jazz contemporâneo de raiz clássica - delimitação e precisão que, sublinhe-se, não eram despiciendas.
 
À semelhança do que se passa com tantos outros grandes músicos de jazz, Brad Mehldau foi construindo paulatinamente um estilo que hoje já atingiu a maioridade criativa, no refinamento de um discurso próprio que agora se distingue e até se afasta, de forma nítida, das próprias influências que ajudaram a dar-lhe corpo, tanto as vividas no campo do jazz como as absorvidas a partir da música erudita.
 
Se, no primeiro caso, os sinais mais óbvios podem encontrar-se em traços estilísticos de um Evans ou de um Jarrett ou, ainda, em outras curiosas incursões pelos terrenos de certa música pop, no segundo caso, não andam longe os sinais de Debussy ou de Fauré, pelo impressionismo das deambulações harmónicas (sobretudo nos três magníficos álbuns da série The Art of The Trio), mas também de Beethoven, Schumann ou mesmo Brahms, pelos arrebatamentos românticos ou pelo classicismo das formas.
 
Muito naturalmente, é esta a saudável expressão da acumulação de cultura que, no campo da música, Mehldau foi empreendendo, sendo certo que, no seu caso - até de acordo com as amplas reflexões avançadas pelo pianista nas notas insertas em Elegiac Cycle e que, valha a verdade dizê-lo, se desejariam menos justificativas -, as paixões e os interesses culturais de que dá provas extravasam em muito a própria Música, o que não deixa de ser assinalável.
 
Entretanto, as reservas que o resultado concreto de todo este seu projecto [1999] mais recente (me) suscita radicam, precisamente, nalguns sintomas de inconsistência e momentos de debilidade que em termos de coerência interna surpreendo no mesmo, se quiser enfrentá-lo à luz dos mesmos critérios de rigor valorativo que já apliquei em relação a anteriores experiências do pianista.
 
Entendamo-nos. No jazz perfilhado por Mehldau, sendo a qualidade do discurso musical altamente determinada pela maior ou menor capacidade de imprimir uma implacável lógica de construção e um elevado conteúdo criativo ao acto de composição espontânea que é a própria variação improvisada no acto de tocar, os dispositivos de apreciação de que nos servimos para julgá-lo são substancialmente diversos daqueles outros que aplicamos em relação à música clássica - na qual, por definição, o tempo, o modo e a própria estratégia de composição de tal ou tal obra são prévios à sua interpretação, porque sujeitos a prolongadas e profundas reformulações antes de atingir a eventual perfeição da sua forma final.
 
Ora sucede que, neste Elegiac Cycle, a sua obra mais vulnerável porque a menos-jazz de todas as que até hoje gravou, Brad Mehldau envereda com mais nitidez e maiores delongas pelos terrenos formais próximos dos grandes autores clássicos que, mesmo de forma implícita, acha por bem invocar, o que tem como consequência inevitável passarem a ser critérios de avaliação da música erudita (e não já, exclusivamente, os do jazz) a modelar e a determinar também, de certo modo, o próprio julgamento do crítico.
 
É neste sentido que, pese embora a coragem do empreendimento (ouçam-se os fabulosos Memory’s Tricks ou Trailer Park Ghost), não podem passar em claro determinados desajustamentos que, do ponto de vista estético, se descobrem de forma surpreendente nesta última obra de Brad Mehldau.
 
Desajustamentos que, por vezes, ocorrem no campo da harmonia, com a utilização de tal ou tal acorde, modulação ou sequência harmónica que soam deslocadas face ao que se lhes segue ou vem do antecedente; ou no campo da melodia, com a utilização de certas frases musicais ou mesmo simples notas de passagem que, neste preciso sentido, deixam de ser liberdades ou fugas a uma lógica interna relativamente volátil (como é a do próprio do jazz improvisado) para se tornarem incómodas e estranhas aos rigores formais de um mundo clássico que aqui nos surge citado e até decalcado de forma tão absorvente. Exemplos? Bard, Goodbye Storyteller, Rückblick ou o trágico equívoco de The Bard Returns.
 
Neste sentido, não deixando mesmo assim de nos proporcionar belíssimos momentos musicais - como Resignation ou Elegy for W. Borroughs and A. Ginsberg - Elegiac Cycle resulta numa obra sintomática de certos impasses, o maior dos quais não deixará de corresponder à cruel interrogação sobre se será este caminho estético aquele que melhor corresponde ao nosso tempo.
 
(in DNMais, à data, suplemento do DN, 26.06.99)
Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:57
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Discos em Destaque (Setembro)

 

 

 


Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 12:41
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

JNPDI! faz 4 anos

 

O blog Jazz no País do Improviso!, um dos pioneiros do movimento blogueiro na área do jazz no nosso país, completa hoje (terça-feira 9) quatro anos de existência, comemorando a data com um concerto a realizar esta noite no Hot Club de Portugal no qual participará (num muito saudado comeback após quatro décadas) o saxofonista-alto Herb Geller que nos anos 60 ali tocou com os músicos portugueses de então.

Desta vez, o saxofonista norte-americano, há muito radicado na Europa, será acompanhado por Filipe Melo (piano), Bruno Santos (guitarra), Demien Cabaud (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria).

O Sítio do Jazz, «jovem» companheiro de viagem, saúda o «velho» JNPDI! e o seu autor, João Moreira dos Santos, convidando os seus leitores a visitarem o post hoje publicado e que nos dá uma panorâmica impressiva da implantação do blog neste novo meio de comunicação.

Muitos anos e bons!


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Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 10:30
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Os 80 anos de Lee Konitz celebrados na Casa da Música

 

É já na próxima quinta-feira 11, pelas 19 horas, que se celebra, com um concerto a realizar na Sala Suggia da Casa da Música (Porto), a passagem dos 80 anos de idade de um grande mestre do jazz: Lee Konitz.

 
Em boa verdade, este redondo aniversário ocorre dois dias mais tarde
(Konitz nasceu, de facto, em 13 de Outubro de 1927) mas as disponibilidades de calendário impuseram esta data para a realização de um concerto que promete e no qual participarão na primeira parte o noneto de Lee Konitz e na segunda parte a Orquestra de Jazz de Matosinhos, esta sob a direcção de Ohad Talmor.
 
Têm sido, aliás, frequentes estas boas relações entre Konitz e a cidade do Porto, já que foi ali, no Festival Internacional de Jazz de 2004, que se realizou uma das primeiras actuações na Europa do novo noneto do grande saxofonista, tendo sido também na capital nortenha (na mesma Casa da Música) que, no ano passado, pela primeira vez, os amadores de jazz portugueses puderam assistir à estreia do repertório de Lee Konitz para o disco Portology gravado com a OJM, mais tarde ouvido no Matosinhos em Jazz de 2007 e cuja estreia norte-americana se realizou em Julho último, no JVC Jazz Festival, num concerto realizado no Carnegie Hall (Nova Iorque) com os mesmos protagonistas.
 
Não me sendo possível assistir ao concerto de quinta-feira próxima, aqui deixo aos leitores de O Sítio do Jazz (em jeito de antecipação e de vénia ao grande mestre) dois excertos de textos que tive a oportunidade de escrever para o Diário de Notícias sobre os referidos concertos de 2004 e 2006.
 
(...) Liderando um noneto constituído (à excepção do velho companheiro Billy Hart e do sempre talentoso mas recatado Ben Monder) por jovens músicos pouco conhecidos mas que actuaram em atmosfera descontraída e com a entrega de quem participa, de forma deliciosamente tímida, num irrepetível workshop, a habitual bonomia e humor de Konitz fez-nos reviver, entre outros originais, grandes paráfrases inventadas sobre clássicos que ajudou a transformar em arrojados ícones do jazz, comoAll The Things You Are, The Song Is You ou Cherokee.
 
Dando forma a este repertório, os belos arranjos de Ohad Talmor, um saxofonista em rápida ascensão, souberam explorar melódica e harmonicamente tanto o ágil contraponto das vozes instrumentais como novos timbres suscitados pelas suas interessantes associações – o trombone, às vezes, fazendo de trompa, o clarinete-baixo emulando a tuba – evocando mas jamais copiando Gil Evans, um outro mestre, e esse modelo e marco histórico que foi The Birth of The Cool(1949) com Miles e Konitz a seu lado, então com 22 anos! (…)
 
(«Lee Konitz brilhou no Festival de Jazz do Porto», in DN, 20.10.04)
 
(…) Que tenha sido possível idealizar e, depois, levar à prática um concerto como aquele que reuniu no passado domingo (12.03.06) o grande saxofonista norte-americano Lee Konitz com a Orquestra de Jazz de Matosinhos na Casa de Música do Porto - dois dias depois de idêntica realização na Culturgest de Lisboa -, eis a prova provada de que o jazz português atingiu em definitivo a sua maioridade, sem dúvida numa escala proporcional à dimensão do país mas já com aspirações de convívio internacional até há alguns anos julgado impossível pelos mais empedernidos derrotistas.
 
Na sua condição de mestre incontestado do jazz, protagonista entre os maiores do imparável salto do classicismo para o modernismo (anos 40/50 do século passado), Lee Konitz sempre pautou a sua trajectória criativa por um irreprimível desejo de desbravar os novos caminhos do jazz, na colaboração de parte inteira com os grandes consagrados ou estimulando cumplicidades com os mais jovens experimentadores.
 
A recente colaboração de Lee Konitz com o saxofonista, arranjador e compositor Ohad Talmor é um dos profícuos exemplos da abertura (e encorajamento) de Konitz aos talentos mais jovens. E se esta parceria já havia sido desvendada, de forma muito estimulante, nos arranjos daquele para o noneto do saxofonista, as composições inéditas que agora constituíram parte substancial deste concerto revelaram um feliz aprofundamento dessa cooperação, a ponto de poder afirmar-se que o trabalho de instrumentação e orquestração de Talmor chega a atingir o estatuto de composição partilhada.
 
Precisamente da mesma forma como Lee Konitz encara o material temático de que parte (mesmo aquele que há décadas reinventa) como um sempre renovado estímulo e desafio à criação de música nova – como foi o caso, neste concerto, das notórias transfigurações operadas em clássicos como I Remember You ou I Got Rhythm (este último encarado até como mero pretexto para a criação de uma longa e fabulosa suite: Sweet Rhythms) –, também Ohad Talmor entende o clássico dispositivo da big band como destinado a ser transformado e reaproveitado em moldes totalmente inovadores.
 
Deixando de lado a hierarquização contrastante dos vários naipes e escolhendo, de entre estes, grupos restritos de instrumentos - que se isolam do tutti para de novo nele mergulharem como geradores de novos timbres -, doseando de forma altamente criativa a conjugação das evoluções horizontais das várias linhas com o seu espaçado encontro em clusters verticais dinamicamente acentuados, Talmor cria de raiz
ou leva à prática consoante o traçado das composições de Konitz uma sustentação orquestral sempre mutável, pela sua divisão em várias secções ou andamentos.
 
Neste sentido, obras como Relative Major ou June 05, entendidas como uma espécie de pequenos concertos para sax-alto e orquestra, estabelecem um interessante contraste com outras - Sound Lee ou Ornetty / Sepetember 11 - encaradas já como uma espécie de concerto grosso, com o quinteto formado por Konitz e secção rítmica a funcionar como o concertino e a restante orquestra como o ripieno.
 
Imperial, concentrado e profundo nos sempre inesperados contornos de um sinuoso e quase abstracto discurso musical, Lee Konitz soube ser ao mesmo tempo prazenteiro e afável na relação com o público e, sobretudo, nos pequenos gestos e sorrisos de aprovação dirigidos ao maestro e aos membros da orquestra que, no seu conjunto, se comportaram por inteiro à altura das exigências, com notável equilíbrio sonoro, homogeneidade estilística, destreza técnica e até nas pequenas e menos evidentes intervenções individuais, num contexto composicional que se destinava a colocar em plano de evidência a personalidade e o estatuto de um histórico.
 
Enfim, uma noite para relembrar.
 
(«Lee Konitz e a maioridade do jazz português», in DN, 15.03.06)
 
Nota I: os repertórios tocados neste concerto de quinta-feira 11 estão ambos gravados, respectivamente nos CDs New Nonet e Portology, editados pela independente norte-americana Omnitone.
 
Nota II: se quiser conhecer alguns excertos do álbum Portology, poderá sintonizar a Antena 2 no próximo sábado 20.10.07 e ouvir mais um ciclo sobre novos discos portugueses em Um Toque de Jazz.
 
Nota III: se quiser ouvir o que pensa Lee Konitz acerca do projecto Portology e da sua colaboração com Ohad Talmor e a OJM – ou melhor, se quiser perceber como é «impossível» entrevistar o grande saxofonista… – então visite esta página do site da Omnitone e veja os videoclips que lá estão!
Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 16:19
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Domingo, 7 de Outubro de 2007

«Um Toque de Jazz» em Outubro

 

Terminado o longo ciclo de Verão preenchido com gravações exclusivamente realizadas ao vivo - quer publicadas em disco quer provenientes da Eurorádio -, a nova temporada de Outuno/Inverno de Um Toque de Jazz irá pôr em dia, em todas as emissões de sábado, a discografia mais recente do jazz português.

Nomes como os de Bernardo Sassetti, João Moreira, Mário Laginha, Carlos Barretto, Pedro Moreira, Paula Oliveira, Marga Hugon, Hugo Alves ou a Orquestra de Jazz de Matosinhos estarão em foco no campo do jazz, enquanto que outros músicos portugueses como Rodrigo Amado, Carlos Zíngaro ou Carlos Bechegas serão objecto de um programa mais dirigido à música improvisada ou Nova Música.

Entretanto, aos domingos, as emissões do programa continuarão dedicadas ao jazz gravado em público, com um novo ciclo de concertos internacionais que, entre outros, contará com a presença dos grupos do trompetista Terell Stafford ou da cantora-pianista Dena DeRose (ambos dos EUA), do trio do trompetista Eric Vloeimans (Holanda) ou do ensemble de Patrice Caratini (França), este numa versão moderna do clássico The Birth of the Cool, uma célebre obra de Miles Davis.

Um Toque de Jazz é transmitido aos sábados e domingos, das 23.05 às 24.00, na Antena 2, e pode ser ouvido em FM ou ainda aqui, via webcast. Após a sua transmissão, as emissões estão disponíveis, também via Internet, na página de arquivos multimédia da Antena 2.


 

Sábado, 06.10.07Novos discos portugueses (1) – Vários grupos nacionais (Bernardo Sassetti, João Moreira, Mário Laginha, Pedro Moreira, Paula Oliveira), ao vivo, no Jazz Fest 2006 realizado em 24, 25 e 26 de Agosto na Quinta Splendida (Madeira).

 

Domingo, 07.10.07Concertos internacionais (1) – O quinteto do trompetista Terell Stafford (EUA), com Tim Warfield (sax-soprano e tenor), Mulgrew Miller (piano), Martin Wind (contrabaixo) e Matt Wilson (bateria) no Festival Jazz Baltica (Bad Salzau, Alemanha) em 02.07.06. Gravação Eurorádio.
  
Sábado, 13.10.07Novos discos portugueses (2) – «Given Soul» pelo quarteto do trompetista Hugo Alves; «Whishful Thinking» pelo quinteto do saxofonista Alípio C. Neto; «Memórias de Quem» pelo pianista João Paulo Esteves da Silva; «Espaço» pelo trio do pianista Mário Laginha.
 
Domingo, 14.10.07Concertos internacionais (2) – O trio da cantora-pianista Denna DeRose (EUA) com Martin Wind (contrabaixo) e Matt Wilson (bateria), no Festival Jazz Baltica (Bad Salzau, Alemanha) em 02.07.06. Gravação Eurorádio.
  
Sábado, 20.10.07Novos discos portugueses (3) – «Portology» pelo saxofonista norte-americano Lee Konitz com a Orquestra de Jazz de Matosinhos sob a direcção de Oham Talmor; «Story Teller» pelo quarteto da cantora Marta Hugon; «Memórias de Quem» pelo pianista João Paulo Esteves da Silva. «In Loko» pelo sexteto do contrabaixista Carlos Barretto.
 
Domingo, 21.10.07Concertos Internacionais (3) – O trio «Gatecrach» do trompetista Eric Vloeimans (Holanda) com o pianista Anton Goudsmith e o pianista Harmen Fraanje no Pequeno Auditório do Concertgebouw (Amesterdão) em 11.02.05. Gravação Eurorádio.
 
Sábado, 27.10.07Novos discos portugueses (4) – «Open Textures» e «Open Waves Concert» pelo flautista Carlos Bechegas, respectivamente com Barry Guy e Joëlle Léandre (contrabaixo); «Surface» pelo saxofonista Rodrigo Amado, com Carlos Zíngaro (violino), Thomas Ulrich (violoncelo) e Ken Filiano (contrabaixo).
 
Domingo, 28.10.07Concertos internacionais (4) – A versão moderna de «Birth of The Cool» (obra histórica do trompetista Miles Davis) pelo Caratini Ensemble (França) com Claude Egea e Pierre Drevet (trompetes), Denis Leloup (trombone), François Touiller (tuba), François Bonhomme (trompa), André Villeger e Rémi Sciutto (saxofones), Pierre de Bethmann (piano), Thomas Grimmonprez (contrabaixo) e Patrice Caratini (contrabaixo e direcção) no Théatre de Verdure (Montréal, Canadá) em 19.08.06. Gravação Eurorádio.

Actualização: A programação de Um Toque de Jazz é feita, pelo menos, com dois meses de antecedência, para que possa ser publicada sem atrasos no Boletim Tons da Dois (da RDP/Antena 2). Mas, como se costuma dizer nestas coisas (e assim é também assinalado no referido Boletim), «a programação poderá sofrer alterações, recomendando-se a consulta actualizada no site da Antena 2
 
Este mês, por exemplo, tudo indicaria que a mais recente obra de Carlos BarrettoIn Loko, já tivesse sido editada e afinal tal não aconteceu. Entretanto. o disco Memórias de Quem, de João Paulo Esteves da Silva, não «coube» na emissão já transmitida no sábado passado (13.10.07) e, por essa razão, serão dele ouvidos os prometidos excertos na emissão do próximo sábado 20.10.07. Ao ouvinte as minhas desculpas.

Publicado por Manuel Jorge Veloso o_sitio_do_jazz às 15:32
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